Mostrando postagens com marcador vertical. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador vertical. Mostrar todas as postagens

sábado, 18 de abril de 2009

51 - Finalizando sobre a questão 16 do VestUFES-2009

A postagem que segue só foi colocada agora para mostrar que o intuito não era fazer sensacionalismo em cima de um erro flagrante ocorrido na prova de primeira fase do último VestUFES, e sim, dar um alerta mais no intuito de colaborar com o aprimoramento do processo seletivo da Universidade Federal do Espírito Santo.
Bem, dito isto, vamos ao que interessa:

Recebi o parecer onde a banca de Física do VestUFES 2009 justifica a não anulação da questão de número 16 da prova. Reproduzo abaixo o tal parecer circulando em vermelho a justificativa citada:
Bem, no próprio livro que serviu de base ao parecer vemos, na página seguinte, um gráfico que mostra como a aceleração da gravidade "g" varia com a distância ao centro da Terra e temos que na expressão para a mesma fora das "proximidades da superfície terrestre" a aceleração da gravidade é representada por "g" e não da maneira como "deve ser representada" conforme cita o parecer.

Mostro abaixo parte de uma página do livro: GASPAR, Alberto; "Física", volume 1, 1ª edição, Editora Ática, página 271; onde na expressão relativa à aceleração da gravidade à altura h relativa à superfície da Terra a mesma é, também, representada por "g":

A figura abaixo mostra parte de uma página do livro: HELOU, Ricardo Doca; GUALTER, José Biscuola; NEWTON, Villas Bôas; "Tópicos de Física", volume 1, 20ª edição, Editora Saraiva, página 231; onde na expressão relativa à aceleração da gravidade à altura h da superfície da Terra a mesma é, também, representada por "g":

Na página seguinte do mesmo livro é apresentada uma tabela que mostra como a aceleração da gravidade varia com a altitude e vemos que sempre a aceleração da gravidade, mesmo fora da superfície da Terra, é representada pela letra "g":

Na figura abaixo podemos ver parte de uma página do livro: NICOLAU, Gilberto Ferraro; TOLEDO, Paulo Antonio de Soares; "Física Básica", volume único, 4ª reimpressão, página 217; onde, do mesmo modo, na "expressão que dá o módulo da aceleração da gravidade num ponto situado a uma distância d do centro da Terra", a mesma é representada pela letra "g":

Verificamos, então, que a afirmativa feita no parecer contrário à anulação da questão 16 é FALSA.

Identifico na questão 16 e no parecer apresentado os seguintes "problemas" colocando-os em ordem decrescente de importância:

1. A questão é literal e não aparece no enunciado a aceleração da gravidade (g) sendo que a mesma foi citada nas alternativas.

2. Considerar que "Conforme é bem conhecido na literatura... No caso de uma aceleração dependente da altura h, temos uma função que deve ser representada por g(h) ou gh”.

3. As duas expressões que seriam encontradas caso se considerasse a aceleração da gravidade na superfície da Terra ou à distância considerada foram colocadas nas alternativas.


As pessoas que lecionam Física nos Colégios (não "cursinhos" como alguns preferem) são profissionais e assim devem ser considerados e respeitados. Suas ponderações não são no intuito de "desafiar" as bancas elaboradoras das provas, e sim, de acusar eventuais erros, supostos ou reais, com o intuito de melhorar a seleção dos candidatos à UFES. Não devem, portanto, ser tratados com descaso e menosprezo com pareceres equivocados, cheios de "achismos" e superficiais. Esses profissionais tratam o processo seletivo com a seriedade que ele merece e que, temos certeza, a grande maioria dos profissionais da UFES também trata. Eventuais desvios devem ser corrigidos.
Já passou da hora de a UFES reformular todo o mecanismo em volta do seu processo seletivo e colocá-lo em sintonia com os de outras universidades públicas e um dos itens dessa reformulação é, com certeza, tratar os professores de Ensino Médio como aliados e não como adversários.

OBS:
1 - Esta postagem é sobre a questão 16 do VestUFES 2009 que foi comentada e resolvida na postagem de número 49.
2 - Para ver as figuras ampliadas clique sobre as mesmas.

sábado, 23 de fevereiro de 2008

38 - Tiros para o alto

A matéria publicada na edição 2042 da revista Veja confirma o que eu sempre disse em sala de aula sobre projéteis de armas de fogo atirados para cima: a sua queda se dá com velocidade suficiente para, até, matar alguém.

Algumas correções podem ser feitas na matéria, como quando informa que: "Quando o tiro é disparado a 90 graus, a bala pode cair em qualquer lugar num raio de 10 metros." Os MythBusters fizeram um programa em que uma arma calibre 9 mm foi disparada verticalmente e foi verificado que, no retorno ao solo, o projétil caiu a 40 metros do ponto de lançamento, ou seja, não podemos esquecer da influência do vento em sua trajetória. Também não podemos esquecer que para disparar um projétil a 90 graus é necessário que a arma esteja firmemente presa a um suporte. Num disparo dado com a arma na mão, mesmo segurando-a perpedicularmente ao solo, é simplesmente impossível a bala ser lançada formando um ângulo de 90 graus com a horizontal. Tal informação, portanto, não é verdadeira mas tais erros não afetam o essencial da matéria: alertar as pessoas de que tiros para cima podem ser fatais.

A revista brasileira Magnum trouxe por, pelo menos, duas vezes matérias sobre o assunto, sendo que na primeira delas citou um caso ocorrido na cidade de São Paulo onde um vigia noturno quase matou uma criança, que dormia dentro de casa, com um tiro de uma arma calibre 32 disparada para o alto. Meses após tal reportagem ser publicada passei a uma aluna um cópia xerox da mesma para desmentir uma afirmação estúpida de um amigo seu que, pasmem, era membro da Polícia Federal.

A matéria da Veja foi postada no link "Notícias" com o número 72, leia-a.